terça-feira, 8 de agosto de 2023

As cores da solidão

 Pintas-te a tua vida com todas as cores da solidão...

Deste e tinta e os pinceis a quem estava à tua volta, e agora a tua vida tem mil cores de solidão...

Sabes e sentes que tu própria ergues-te essa muralha, sabes que foste tu que te afastas-te, querias ouvir o silêncio, querias sentir a solidão, querias experimentar estar sozinha!

Desligas as luzes, só deixas a grande janela da sala aberta, só permites que os pequenos pontos no céu aos quais chamas estrelas entrem na tua sala, na tua solidão, no teu silêncio... Contemplas cada ponto no céu sentada no sofá, como se cada ponto fosse uma casa, vazia e de luz acesa como a minha. E ficas ali até a solidão corroer e aquele lugar se tornar indigesto...

Usas aquelas pulseiras relógio que te avisa de cada notificação do telemóvel, treme no teu pulso e como um pequeno choque o teu coração dispara, olhas numa fração de segundos e nunca é nada. nunca é ninguém real... mails, spams, chamadas com relatório de spam, notificações vazias das redes socias, notificações de jogos e aplicações, da camara de casa a avisar que o vento soprou mais forte e abanou o grande chapéu de sol do jardim vazio e silencioso, promoções de verão de supermercados e lojas... E o coração que outrora disparou, é substituído por uma contração forte como se espremesse até atingir os teus olhos que querem expulsar toda a dor de desapego, indiferença, invisibilidade, respiras fundo, controlas e como outrora li algures por ai, crias mais um nó na garganta, e nós na garganta dão cabe da saúde, e doem, prendem, afligem...

Estás SÓ... Tão só... somente só...

Olhas e não tens ninguém... nada...

Tudo é oco e vazio, porque talvez lá no teu fundo, mesmo no fundo, que colocas-te por baixos de fronhas e lençóis velhos, quem tu queres não vem, quem tu queres não liga, quem tu queres já se foi... não volta mais...

Peço que Deus te guarde disto, peço a Deus que nunca saibas o significado disto, pelo amor que me resta a ti... 

Sem comentários:

Enviar um comentário